segunda-feira, 25 de abril de 2011

Criar intuito de esforço



O texto de hoje diz respeito a evolução dentro do karate, de toda a jornada desde a branca até preta. Quando um novato chega ao Dojo à tendência dele é copiar os mais graduados, tentar se comparar a ele. É uma atitude muito natural, porem deve-se tomar cuidado para não virar uma busca obsessiva em que a pessoa tenta se igualar a outra em tudo. 

Vivemos num país multirracial e temos pessoas com vários tipos de biótipo. Deve-se levar em consideração que o que é fácil pra um pode ser mais difícil para outro. Por isto querer copiar uma pessoa pode ser um erro, pois ela tem um ritmo e você tem outro.

Inúmeras vezes eu escutei a seguinte história:

“- Olha só como fulano faz o kata unsu, eu nunca farei como ele.”

“- Como eu queria ser como aquele campeão ali.”

“- Ah, ele pode, olha a abertura de perna que ele tem...”

“- Ah fulano pode fazer tal kata, eu não.”

Isto é um erro, pois o caminho no karate é diferente para cada um, cada karateka trilha seu próprio caminho, solitário. É claro que temos nossos colegas, nossos exemplos, nossos senseis... Eles fazem parte deste caminho, mas estes só nos auxiliam ou atrapalham, não trilham o caminho por você. Ainda não existe karate por procuração, não que eu saiba. Não são os outros que vão treinar por você. Não vai ser comparado o que os outros podem e você não pode fazer que vai te fazer evoluir.

Não tenha como meta o que o seu ídolo faz, tenha como meta os seus próprios limites. Se hoje eu sou deste jeito, amanhã serei melhor ainda, trabalharei para ser cada vez melhor.
Mude a mentalidade, diga:

- Eu vou treinar, treinar, treinar. Vou me aperfeiçoar, me tornarei o melhor, não pelos outros e nem pra provar nada pra ninguém, mas por mim mesmo, porque quero me superar todos os dias.

Se você se comparar aos outros, sempre terá alguém melhor e alguém pior do que você.  Saiba que os grandes campeões, os grandes karatekas, se superaram antes de tudo, superaram os seus próprios limites, suas próprias dificuldades.

Alguns aqui no RS já devem ter visto um rapaz que perdeu os movimentos de um dos braços. E quem já viu sabe que ele é tão ágil e tão habilidoso quanto uma pessoa dita "sem limitações". Meus colegas que não tem limitações nenhuma perderam feio pra ele. Será que o braço dele foi uma limitação? Acho que não, pois ele superou isto. Porem vejo pessoas que tem limitações bem pequenas, minúsculas, que literalmente empacam sua evolução. 

Mas vou dizer que a pior limitação é aquela que criamos pra nós mesmos.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Noticias do Japão

Pois é pessoal, desculpas por chover no molhado.

Até agora não tive noticias dos meus familiares no Japão, tive somente noticias de um colega karate conhecido meu, já treinou comigo, era sensei lá em Novo Hamburgo e esta no Japão estudando.

Com relação ao colega de Karate, ele diz:

"As coisas ainda estao muito caoticas mas aos poucos estao voltando ao normal.Existe uma certa tensao no ar pois se espera mais dois terremotos grandes esta semana. Porem estamos bem."


"Ossu,

P.S.: no dia do terremoto vou te contar, pior que flete redomao!!!!E depois um caos total na cidade."

Resposta do dia 15/03/2011.


Boa sorte pra vocês karatekas que estão ai no Japão, Pingo, Pinto e compania!


Uma semana depois da tragédia, uma encomenda com dois CDs chegou do para meu pai do Japão, era do meu tio que mora em Hachinohe. Ele mandou os CDs antes dos terremotos. Ele talvez demore pra responder, pois é policial e deve estar ajudando nos resgates.

Agora tem que esperar.

sábado, 2 de abril de 2011

O que os karatekas podem aprender com o desastre no Japão.


Oss.

Já se passou três semanas desde que aconteceu o terremoto de 9° ER seguido de tsunami. O Japão ainda luta para controlar a crise nuclear.

O mundo inteiro pode acompanhar todos os fatos em tempo real como se estivessem realmente vivenciando a tragédia. O que mais me chamou a atenção foi a reação da imprensa Brasileira com relação a tragédia, ficaram surpresos que mesmo com tanta confusão os japoneses conseguem ser solícitos, organizados, esperam a sua vez com paciência, são resignados, prestativos. Aqui na America latina as pessoas reagem de outra forma as tragédias, não ha ordem, vira tudo um caos, lojas são saqueadas, as pessoas gritam, se escabelam, tornam as coisas piores do que são por puro desespero, não pensam que ficar histérico só vai prejudicar os outros, não vai ajudar em nada. O que os japoneses tem de diferente de nós? Absolutamente nada! São pessoas como todos nós, a única coisa que nos difere deles é a forma de ver a sociedade.

Se fizermos um exame de consciência serio, sem interferências das paixões, do orgulho e das convicções cegas, veremos que nosso modelo de sociedade valoriza o individualismo, não valoriza o conjunto, o coletivo. Fazemos somente aquilo que é bom para nós mesmos sem pensar que pode prejudicar nossos visinhos, nosso próximo. Não quero dizer com isto que na nossa sociedade não tenha gente correta, prestativa, que honre seus principios, porem existe questões culturias, certas caracteristicas gritantes da nossa sociedade que me chamam muito a atenção. Principalmente eu, que nasci no limiar de duas culturas tão distintas, senti muito com o choque entre as duas.

Por exemplo, acho irônico que existam pessoas que enchem a boca para falar dos maus governantes, reclamar do péssimo serviço de saúde, da injustiça no nosso país quando que lá no pátio dele, no poste de luz, existe um “gato” (ligação clandestina). É ridículo exigir direitos quando se faz tudo para tirar vantagem e infringir a lei. É por causa dos “gatos” que os pagantes honestos tem que pagar cada vez mais caro pela luz. Quando a companhia de luz vai até o local, retira a ligação clandestina e deixa a casa sem o conforto da luz, a criatura se escabela, reclama dos visinhos invejosos que o denunciaram.

No karate praticado aqui vejo a mesma coisa, pessoas querendo tirar vantagens em lutas, competições, exames de faixas, sem fazerem o mínimo de esforço para se tornarem melhor, sem respeitar e burlando as regras de competição e da federação. Fazem questão de mostrar um karate desrespeitoso, indisciplinado e depois quando recebem alguma advertência ou punição da Federação enchem a boca para falar mal. Que moral estas pessoas tem para falar bem o mal do karate e de suas federações se elas sequer fazem a sua parte, se elas sequer dão o exemplo?

Também acho engraçado encherem a boca pra falar dos pontos positivos do karate quando que nas competições o que se vê é o exemplo da falta de respeito, da indisciplina. Ridículo quando que na abertura dos eventos fazemos um juramento de respeitar nossos adversários. Ridículo quando que o que defendemos no Dojo-kun é o “respeito acima de tudo”.

Não é de se admirar nossa reação quando vemos os japoneses mesmo diante de uma tragédia se organizando, se ajudando, mantendo a ordem diante do caos. Claro que nos admiramos, não fazemos esforço nenhum para seguir o exemplo deles! Tanto que quando temos uma tragédia aqui ficamos como baratas tontas, viramos trogloditas brigando por uma caça.

Se quisermos ter uma sociedade melhor teremos que pensar um pouquinho mais como o japonês, pois eles pensam que o que é bom para o outro é bom para si mesmo. Aqui pensamos somente no que é bom pra nós, depois se pensa no outro, os outros que se virem. O problema é que se todo mundo pensa assim não se pode exigir que o outro nos respeite, pois não se faz questão de respeitar a ninguém.

Este respeito ao próximo deve começar dentro do Dojo, no respeito com os colegas, ao sensei, o local de treino. Quando formos cuidar do Dojo que não deixemos para nosso colega tomar uma atitude, que tomemos nós uma atitude, mantendo a ordem, a disciplina, a limpeza no local, sem ter que esperar o sensei mandar. Pois afinal de contas o karate veio do Japão, enchemos a boca para falar da disciplina do karate, vemos diante do exemplo que nos chega pela TV que mesmo em situação caótica o povo que deu origem a esta grande arte-marcial nos dá um exemplo de ordem e disciplina.

Faço uma ressalva para as atitudes dos senseis, procurem valorizar a disciplina em seus Dojos, ensine insistentemente estes valores, pois assim teremos um karate melhor e muito mais organizado no futuro. Poderemos formar os futuros mestres, os futuros campeões (campeões e não galos de briga), os futuros dirigentes de nossa arte.

E caros karatekas, façam um exame de consciência, será que muitas das coisas que temos de reclamar é realmente culpa das federações? Podemos escolher quem serão nossos representantes, não deixem para outros escolherem. Será que exigimos nossos direitos de maneira correta? E se exigimos, será que estamos fazendo por onde?

Não digo que as federações não cometam seus erros, é claro que cometem, mas pra isto existem federados que podem exigir e lutar por melhorias.
Se meu texto deixar mais duvida do que repostas, que bom, terei alcançado meu objetivo, terei feito vocês pensarem.

Oss.

quarta-feira, 23 de março de 2011

As fotos presentes no Dojo

Se quiser saber mais dobre o assunto vide tambem o post: Karate e religião japonesa


Qualquer praticante de karate (e de outras artes marciais) pode observar a foto do mestre fundador do estilo pendurada na parede.


Fotos dos mestres do karate que geralmente estão em lugar de destaque no Dojo

Porque aquela foto?

Muitas pessoas por ai vão me dar uma resposta na ponta da língua, etc. Outros só sabem que ela esta lá para lembrar o fundador do estilo. Esquece o que você vai ler por ai no “wiki da vida” e em outros blogs que só usam o recurso do “Ctrl+C” e “Ctrl+V”. Existem muitos blogs por ai que o conteúdo não é muito confiável, são poucos os autores que se prontificam a realmente estudar e dar a seus leitores um estudo sério. Conheço colegas meus que são ótimos exemplos de karatekas e fazem blogs de ótimo conteúdo, porem tem uns por ai que só querem aparecer.

 Meu depoimento se baseia em vivências de família.

As fotos no Dojo não servem só de enfeite, existe por trás destas imagens um significado muito mais profundo. No Japão se cultua muito os antepassados, principalmente aqueles que nos deixaram algum legado como um pai, uma mãe, um mestre, um professor, um tutor. Qualquer casa em que algum chefe de família já tenha falecido sempre vai se encontrar uma foto dele exposto em algum lugar, muitas vezes próximas de um oratório (Butsudan para os budistas ou Kamidana para os shintoistas). Via de regra, no budismo não há culto aos antepassados, o que se reverencia num butsudan é a o Buda Histórico (Shakyaumi Buda), porem no Japão geralmente os funerais são feitos com rituais budistas. É no shintoismo que se cultua os antepassados. Mas devido ao sincretismo as vezes numa mesma casa pode haver no mesmo espaço um kamidama e um butsudan.
Aqui no Brasil foi introduzido somente o uso da foto no Dojo, pois seria muito custoso fazer um oratório. Alem do mais, para se ter um altar alguém na academia também deveria saber cuidar dele e isso envolve algum conhecimento religioso (o que não cabe a mim ensinar), e como estamos num pais essencialmente cristão, fica um pouco complicado. O próprio governo japonês (consulados e embaixadas) recomendava aos religiosos japoneses (budistas e shintoistas), que vinham aqui para o Brasil atender a demanda dos nipo-brasileiros, que tivessem discrição na pregação de suas religiões. Pois um o fato de vir para um pais de maioria cristã pregar outra religião poderia gerar conflitos.




Em algumas imagens feitas da JKA dá para ver um oratório (Kamidana*) ao fundo do Dojo.


Minha irmã quando viajou para o Japão pode visitar meus tios. Meu pai fez muitas recomendações caso ela fosse visitar a casa dos meus falecidos avós (onde hoje mora minha tia), disse a ela o que levar e o que fazer, etc. Como ela não estava muito acostumada foi entrando na casa de minha tia e não viu o altar que estava na entrada. Minha tia Taka a chamou de volta e falou:
“- Fulana, tu não vai cumprimentar teus avôs antes de entrar na casa deles?”

Claro que minha irmã não era obrigada a saber pois não estava acostumada a fazer, porem isto foi um pouco constrangedor pra ela.

Ela teve que voltar e cumprimentar o altar, acender dois incensos e orar. Também teve que entregar dois mochis (bolo de arroz) de oferenda. Mesmo estando mortos a casa ainda pertence a meus avôs e se deve pedir licença ao entrar na casa de seus donos.

Quando se entra num Dojo se leva em consideração exatamente isto, a presença do mestre fundador do estilo dentro do local da prática dos exercícios. Deve-se considerar em primeiro lugar que a presença dele se encontra ali, dentro do Dojo.

Então karatecas, nunca esqueçam, antes de iniciar sua aula de karate, cumprimente o Dojo (conseqüentemente a presença do sensei fundador do estilo, Funakoshi, Mabumi ou Miaygi, etc), cumprimente seu sensei, cumprimente seus colegas.

Não limite o seu momento de mostrar respeito aos grandes mestres somente no cumprimento inicial ou final da aula, mostre este respeito sempre. Quando estou praticando sozinha no Dojo sempre procuro cumprimentar o mestre antes de depois da pratica dos exercícios. Devemos o estilo que praticamos ao esforço deles, ao conhecimento que eles nos passaram.

Não esqueça um dos princípios do Dojo Kun: "Respeito acima de Tudo".

Este respeito inclui tambem nossos antepassados, principalmente os do Karate.

Oss.

Atenção: Não vai ficar por ai oferecendo bolinho de arroz pra foto, acendendo incensos , só por que dei o exemplo da minha família. Como eu falei, tem que saber como fazer isto. Tem que procurar a orientação de um monge budista ou um sacerdote shinto.

Obs.: Eu sei que algumas pessoas são devotas e praticam sua religião, por isto mesmo não são obrigadas a praticarem aquilo que não aprovam. Se este é seu caso leitor, saiba que aqui eu só dei exemplos, só expliquei a origem do ato de cumprimentar as fotos. Se algum professor de karate impor fazer algo que contrarie suas crenças, não é obrigado a fazer. 

KARATE NÃO É RELIGIÃO!


P.S.: Algumas explicações sobre a religiosidade do japonesa esta em outro post (Karate e religião japonesa), nele explico a diversidade religiosa no Japão e as influencias que cada uma tem no povo japonês.
P.S. 2: Uma errata: as fotos não ficam dentro do altar, nem do butsudan e nem no kamidama, elas ficam próximas do altar e não dentro. A confusão de minha parte é porque minha mãe (que não é japonesa) colocou as fotos dentro do butsudan e meu pai não questionou. No Budismo se reverencia a imagem de Shakyaumi Buda e ele deve ser a figura central num butsudan. Via de regra não há culto aos antepassados no budismo, porem no Japão, algumas vezes dentro das casas o butsudan divide o espaço com o kamidama. No kamidama deve ter dentro dele um espelho que remete a Deusa Amaterasu. As fotos dos antepassados geralmente estão perto do altar, nunca em posição de destaque. Tinha um casal de senhores que apadrinhou meu pai aqui no Brasil, eu os chamava de Diichan e Baachan (vovô e vovó), eles tinham um altar shintoista, mas a foto dos antepassados estava ao lado do altar e não dentro. 

sexta-feira, 11 de março de 2011

Terremoto no Japão e enchete no Rio Grande do Sul.


A principio eu ia atualizar o blog falando alguns pontos com relação a imagem do sensei Funakoshi no Dojo, mas como todos podem ver ocorreu uma tragédia. Estou falando do terremoto de 8.9 ER e do monstruoso tsunami que se seguiu após que abalou o Japão e o mundo.

A região afetada é próxima a terra natal de meu pai e tenho Tios e Primos morando na região norte do Japão na província de Aomori e uma tia que mora em Tókio.
Porto de Hachinohe em Aomori, arrasado pelo tsunami. Os navios sairam do porto e foram parar no meio da rua.

Mas acredito que a região a onde moram meus parentes, Imabetsu em Aomori, não tenha sido muito afetada, pois não esta na área de risco para tsunami forte (com relação a este incidente de 11/03/2011), a cidade esta protegida por uma baía, as ondas que chegaram lá provavelmente foram em bem menor intensidade.

Em vermelho a região de Aomori

No mapa da Japan Meteorological Agency marca toda a região de Aomori como alvo possivel de tsunami


Mais informações sobre o terremoto de 11/03/2011: http://gakuranman.com/great-tohoku-earthquake/


Vemos neste grafico da GDACS (editado pois é muito grande) com as previsões do Tsunami que a cidade de Imabetsu em Aomori seria pouco atingida, vemos tambem que a cidade de Sendai tinha previsões de ondas de 7,1 m de altura o que se confirmou.



Conheço alguns karatekas que estão no Japão e já mandei mensagens para os mesmos, ainda estou esperando resposta. Com relação aos meus parentes com certeza meu pai entrará em contato quando as coisas ficarem mais calmas. Não tem pra que congestionar mais ainda o sistema telefonico do Japão que já esta um caos.

Podemos ver que mesmo o Japão, o país mais preparado do mundo para desastres naturais, não foi capaz de conter os grandes estragos deste terremoto. Até mesmo os japoneses estão surpresos com o tamanho da intensidade e o impacto deste desastre. É claro que o numero de vitimas foi consideravelmente diminuído por causa dos insistentes treinos que são feitos em todo pais para ensinar o povo a lidar com estas situações. Os alertas foram lançados e muita gente pode evacuar os locais de risco de tsunami, mas mesmo assim a onda gigantesca chegou muito rápido, muitos não devem ter conseguido fugir a tempo. 


Video feito pela rede Globo após o tsunami.  


Contra terremoto o país tem todos os recursos para lidar com o problema da melhor forma possível, porém tsunami é muito mais complicado, os únicos recursos são os alertas dados pelo governo japones e a evacuação rápida dos locais de risco. O Tsunami é muito mais destruidor pois vai arrastando tudo que esta a sua frente deixando somente ruínas, destroços e muita sujeira. Num terremoto ainda se pode correr ou se proteger em algum lugar, mas num tsunami, se você não correu antes, não vai adiantar correr quando a onda chegar, o vagalhão vai te arrastar a quilômetros de distancia. Garanto que muitos corpos jamais serão encontrados pois serão arrastados para o alto mar.

Após ao terremoto e ao tsunami habitantes de Hachimohe procuram os abrigos. Diante da tragedia todos se tornam iguais.

Já faz uns três anos que o Japão estava esperando este grande tremor e dando alertas sobre ele, por isso não se pode dizer que este incidente não estava previsto. Muito diferente de nosso país que todos os anos registram calamidades, como as da Região Serrana do Rio, e sempre estão por tomar atitudes a respeito e nunca tomam. Não precisamos ir muito longe, no nosso próprio estado (Rio Grande do Sul) esta ocorrendo uma calamidade em São Lourenço do Sul e proximidades, varias pessoas desabrigadas por causa de chuvas torrenciais.

São Lourenço do Sul- RS de baixo d'agua, não muito diferente do Nordeste do Japão


A tragédia no Japão esta abafando a outra tragédia que esta acontecendo em nossa própria terra, vamos ficar alertas para que isso não passe em branco.


Destruição? Enchurrada? Japão? Tsunami? Não, é São Lurenço do Sul

Região sul no Rio Grande do Sul, pontes e estradas destruidas.


Sei de gente que ia para Rio Grande mas que resolveu ficar em Porto Alegre porque as estradas estão bloqueadas e o desvio por Pantano Grande aumenta mais duas horas o tempo de viagem.

Por favor, temos que mandar ajuda nossos irmãos aqui do sul doando roupas e comida, etc. Procurem a defesa civil do nosso estado e faça a sua parte. O Japão vai receber a ajuda do mundo mas nós aqui temos que nos ajudar tambem.

Defesa Civil em Porto Alegre: http://www2.portoalegre.rs.gov.br/codec/

Desculpas pessoal por sair do assunto proposto no blog, mas não tem como fechar-mos os olhos diante de tantos acontecimentos.

Oss

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

KARATE-GI (空手着) – ROUPA DE KARATE - como cuidar - 3ª parte

Agora sim pessoal, vamos ao que prometi na segunda parte deste tema, como lavar o seu KARATE-GI.

Primeiro vou passar as recomendações gerais para lavar tanto tecidos de fibras naturais como de sintéticas.

  1. O karate-gi deve ser deixado de molho de um dia para o outro em água com sabão em pó acrecido de alvejante sem cloro (seriam o Vanish, Brilhante utile);
  2. Evite a todo o custo usar alvejante a base de hipoclorito de sódio (Alvex, Clorofina, Q'boa, água sanitária), é muito corrosivo, acaba por desgastar as fibras do tecido;
  3. Uma dica minha é deixar de molho em água quente*, conforme indica nos rótulos de alvejantes a base do oxigénio (Vanish poder O2);
  4. Os karate-gi feitos com tecidos de fibras naturais devem ser escovados a mão com escova de cerdas grossas, já os de fibra sintéticas devem ser escovados com escova de cerdas finas;
  5. concentre a escovação nos punhos, golas, bainhas, são as partes que mais sujam e se não escovar não sai as manchas;
  6. O karate-gi deve ser lavado no lado avesso e no direito;
  7. Uns fabricantes de karate-gi recomendam não torcer, porem a desta forma custa muito pra secar, recomendo a centrifugação da maquina de lavar que não causa danos ao tecido, se não tiver maquina de lavar ou centrifuga, paciência, terá que ter um pátio bem ensolarado para secar;
  8. Preste a atenção nas etiquetas dos karate-gi, lá geralmente existem dicas de qual material pode usar ou não na lavagem;
  9. Evite lavar o karate-gi em maquina de lavar, principalmente aquelas maquinas que lavam por turbilhonamento ou que tenham um cone no meio.
  10. NÃO se lava a faixa!

Tecidos de fibras naturais: são mais resistentes a alvejantes a base de cloro e a produtos químicos tipo solventes (benzina, tiner, izarraz, solvente), encolhem com mais facilidade, resistem a altas temperaturas do ferro de passar.

Tecidos de fibras sintéticas: deve-se evitar a todo custo o uso de alvejantes a base de cloro, são mais frágeis a produtos químicos solventes, não costumam a encolher, não resistem a altas temperaturas do ferro de passar, alias nem se deve passar, só especialistas conseguem passar estes kimonos sem danifica-los.
*Atenção: karate-gi com tecido sintético fica amassado depois de ficar de molho em água quente, deve-se passar com ferro depois, em outro post explico como passar.

Notas:
  • Bronzeadores, filtros, bloqueadores solar mancham os tecidos e é difícil de tirar pois todos eles contem fixador;
  • Desodorantes roll-on são impermeáveis (contem sais de prata na fórmula que tem função fixadora) e depois que as manchas impreguinam a roupa não sai mais, nem com mágica.
  • O tira ferrugem (sermorin) pode ser usado para tirar manchas de sangue e ferrugem, porem este produto é altamente tóxico e deve-se ter muita cautela ao usar, deve-se usar luvas e evitar a inalação. Se você estiver manuseando este produto sem luva e estiver com algum machucado na mão pode agravar muito a lesão, inclusive necrosar a pele. O produto é muito eficiente, mas existem outras formas de tirar manchas de sangue.
  • Para tirar manchas de sangue use água oxigenada 10 vol, aplique direto na mancha e deixe por uns 10 min, depois esfregue, quanto antes isto for feito melhor vai ser de tirar a mancha, ajuda também alvejante a base de água oxigenada (Vanish liquido e assemelhados);
  • Manchas de mofo se tiram com água bem quente acrescida de bicarbonato de sódio (uso meio potinho para um kimono nº 3), deixe de molho nesta solução até a água esfriar e depois esfregue, enchague e volte a lavar com o alvejante sem cloro (atenção karate-gi com tecido sintético fica amassado depois deste procedimento, deve-se passar com ferro depois, em outro post explico como passar);
  • Para aquelas manchas encroadas nas golas existem alguns produtos de pré-lavagem nas prateleiras dos supermercados que podem ajudar bastante. Olhe no rotulo das embalagens e procure na composição um produto chamado “tensoativo”. Ele é ótimo para tirar esse tipo de mancha. Detergente de cozinha também ajuda.
  • Manchas de tinta e chiclete saem com tiner ou benzina, porem são produtos químicos com cheiro muito forte e podem intoxicar e esta técnica é mais recomendada para tecidos de algodão, nos sintéticos até dá pra usar, mas com muito cuidado.

Mitos

Kimono não se lava”.

Ridículo, quem afirma isso tem preguiça de lavar ou é porco mesmo.

Kimono não pode ser secado ao sol”.

Pode, desde que já esteja bem encolhido.

O kimono estraga se lavar demais”.

Muito pelo contrário, dura até mais, quem inventou isso também tinha preguiça de lavar o kimono.

Aqui o significado aqueles simbolos que geralmente existem em algumas etiquetas de roupas:








Atenção.: este post é continuação de um post anterior em que tratei sobre a pronuncia do termos Kimono e karate-Gi. Veja no link: KIMONO (着物) – COISA DE VESTIR, RATE-GI (空手着) – ROUPA DE KARATE - 1ª parte.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Filosofías

Existe um pessoal ai que quando começa a praticar artes-marciais sai correndo atraz de livros do filosofía oriental, ensinamentos, princípios e o escambal.

Não condeno tal procura, acho positivo pois isso ajuda na formação do carater de certa forma.

O que eu acho sofrível é a criatura ler livros e mais livros para ficar vomitando filosifía quanto que sua vida em si esta um suplicio. Ler, decorar, repassar feito um papagaio é muito fácil, isto qualquer débil faz, colocar em prática é o difícil.

O que adianta ler saber para se mostrar para os outros quanto que tu mesmo não tem sequer confiança em si mesmo, quando que tu não consegue resolver seus próprios problemas, quando tu tem muito mais a esconder do que mostrar?

Os hipócritas falam, falam, falam...

Talvez falem para tentar convencer os outros de que são melhor do que realmente são. Quem absorve o conhecimento, pega para si, acolhe-o dentro de seu coração e principalmente o entende, não precisa falar aos quatro ventos, pois é um exemplo em si mesmo, em cada ato, em cada palavra.

Digo por experiencia própria que não foram as filosofías que fizeram minha história no karate, mas sim as experiencias, a convivencia com meus senseis, senpais e demais colegas. Aprendi o que os livrinhos não ensinam, a conviver com os karatekas do meu pais (no caso o Brasil).

Se for dizer que lí algum livro de filosofiía nas artes marciais, digo que lí somente uns dois ou três (vou ler mais por descargo de consiencia e quando estiver com paciencia). Eu leio muito mais sobre filósofos ocidentais pois minha irmã estudou filosofía e estou cheia destes livros em casa. Descartes, Socrates, Platão Aristóteles, Epicuristas, estoicos, Maquiavel, empirismo, enfim, vários.

Digo que para ler e aprender qualquer filosofía, seja orinetal, seja ocidental, primeiro você deve aprender a questionar a sí mesmo, questionar seus atos e o mundo que vive, para depois ler algum livro seja ele a "Arte da Guerra", "O Livro dos Cinco Aneis", os "Hagakure" da vida.

O que tu vai aprender é o óbvio de muitas coisas que tu mesmo não quer ver. Se quizer reavaliar seus atos e fazer uma reforma intima, que bom, senão quizer, repita como um papagaio que talvez você tenha meia duzia de pela sacos, outros tão débeis quanto você, te aplandindo.